O governo federal do Brasil autorizou, em edição extra do Diário Oficial da União, a utilização de aeronaves estrangeiras nas operações de combate aos incêndios florestais que há semanas consomem vastas áreas da Amazônia, do Pantanal e do Cerrado. A medida, que entra em vigor imediatamente, permite que aviões tanque e helicópteros de países como Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina possam atuar em território nacional com procedimentos alfandegários e migratórios simplificados.
A autorização surge em um momento crítico: os focos de queimada aumentaram significativamente em relação ao mesmo período do ano anterior, sobrecarregando as equipes do Corpo de Bombeiros, do Ibama e das brigadas municipais. A ministra do Meio Ambiente, em entrevista coletiva, destacou que a cooperação internacional é "essencial para enfrentarmos uma crise ambiental de grandes proporções. As aeronaves estrangeiras trazem tecnologia, capacidade de carga e agilidade que complementam nossa frota nacional."
Equipe envolvida na operação
A força-tarefa de combate aos incêndios reúne diversos órgãos e profissionais. Conheça os principais integrantes e suas responsabilidades:
Coordena a política ambiental e a autorização do uso de aeronaves estrangeiras. A pasta, comandada pela ministra, é responsável por articular com os demais ministérios (Defesa, Justiça, Relações Exteriores) e com os governos estrangeiros para agilizar a cooperação.
Órgão executivo que planeja e coordena as operações de combate. Suas equipes de brigadistas atuam diretamente no terreno, abrindo aceiros, realizando queimas controladas e orientando o lançamento de água pelos aviões. O Prevfogo também é responsável por solicitar o apoio aéreo e monitorar a evolução dos focos.
As corporações estaduais atuam em conjunto com o Prevfogo, especialmente em áreas de interface urbano-florestal. Seus efetivos são treinados para combate a incêndios florestais e contam com viaturas e equipamentos especializados.
A FAB é a responsável pelo controle do espaço aéreo e pela coordenação das aeronaves estrangeiras. Garante a segurança dos voos e a integração das rotas, além de disponibilizar, quando possível, aeronaves da própria esquadrilha para transporte de pessoal e carga.
Os países colaboradores enviam aeronaves e tripulações experientes no combate a incêndios florestais. Os pilotos canadenses e americanos têm vasta atuação em incêndios de grande porte. Eles operam sob a coordenação do Prevfogo e seguem as normas da aviação civil brasileira.
Responsabilidades e atuação
Cada integrante da força-tarefa tem funções bem definidas. O Ministério do Meio Ambiente provê o respaldo legal e diplomático. O Prevfogo e os bombeiros executam o combate direto, enquanto a FAB gerencia o espaço aéreo e a logística. As aeronaves estrangeiras são empregadas principalmente no lançamento de água (bombardeio aéreo) e no transporte de brigadistas para áreas remotas. A autorização governamental simplificou a burocracia para que essas aeronaves possam pousar em bases brasileiras, abastecer e iniciar as missões em até 48 horas após a chegada.
Além disso, a medida prevê que as equipes estrangeiras atuem em regime de reciprocidade e sob a supervisão das autoridades brasileiras. A cooperação técnica permite o intercâmbio de táticas e o uso de equipamentos de última geração, como aviões capazes de lançar milhares de litros de água em uma única passagem.
Resultados esperados
Com a chegada dos primeiros aviões, a expectativa é de que a capacidade de resposta às queimadas aumente em pelo menos 30% nas regiões mais críticas. A Defesa Civil e o Prevfogo já mapearam as áreas prioritárias, como o sul da Amazônia e o norte do Pantanal, onde os incêndios têm causado danos severos à fauna, à flora e às comunidades locais. A população pode contribuir denunciando queimadas ilegais pelo número 0800 061 8080 (Ibama) ou pelos canais estaduais.
A autorização para uso de aeronaves estrangeiras não substitui as ações estruturais de prevenção ao desmatamento, mas representa um avanço importante na resposta rápida a emergências ambientais. Especialistas apontam que a iniciativa deve ser acompanhada de investimentos permanentes em monitoramento por satélite, brigadas permanentes e educação ambiental.